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Duque de Lafões

 

Correia da Serra

 

Memorias Economicas da Academia Real das Sciencias de Lisboa

 

LUGARES & ACONTECIMENTOS 

A Real Academia de Ciências

A fundação da Real Academia de Ciências de Lisboa, em 1779, é um acontecimento especialmente expressivo dos esforços de um grupo de intelectuais no sentido de conjugar os conhecimentos científicos com as necessidades econômicas da nação.

A idéia da criação de uma Academia de Ciências, de fato, começou a ser gestada no interior da Universidade de Coimbra, mais especificamente, no curso de Filosofia através dos esforços de articulação política encetados por Domingos Vandelli. Entretanto, a reação à reforma pombalina instalada em Coimbra após a morte de D. José, e a força repressiva da polícia política de Pina Manique pesando sobre a Universidade, indicavam não ser mais este o espaço privilegiado para o florescimento e avanço científicos. Assim, a Academia de Ciências não foi instalada em Coimbra, mas em Lisboa, onde a influência do 2o.Duque de Lafões junto à rainha abrira espaço para a concretização da idéia.

A Academia surge, no reinado de D. Maria I, num contexto de aprofundamento das reformas ilustradas iniciadas por Pombal. Para fazer frente às necessidades de crescimento econômico e aproximar Portugal das nações economicamente mais desenvolvidas da Europa, fazia-se premente encontrar soluções rápidas e eficazes. A institucionalização da Academia constitui iniciativa emblemática da participação da elite ilustrada nos destinos da nação. Congregando membros oriundos da Universidade, docentes e graduados, e a elite intelectual portuguesa, cujas reflexões traduziam as várias linhas do pensamento ilustrado, a Academia chamou para si a tarefa de sistematizar diversos projetos num programa integrado de reformas para o estado. A visão de que o conhecimento científico deveria fornecer respostas para os pequenos e grande problemas econômicos da realidade portuguesa era a principal premissa da ação da Academia.

Além da produção interna de seus membros, a Academia buscou ampliar seu leque de coloboradores através da abertura de concursos anuais de monografias temáticas, instituindo um clima de ação coletiva inuficada em torno de propósitos comuns. A coleção de memórias, discursos e ensaios apresentados à Academia atesta o esforço da comunidade ilustrada, do reino e do ultramar, em investigar os recursos existentes no mundo português e formular propostas práticas para seu aproveitamento econômico, em buscar inovações técnicas para a exploração agrícola e mineral e em pensar alternativas comerciais e administrativas para a gestão dos negócios no reino e suas colonias.

Nesse contexto, adquire relevância o fato de muitos dos brasileiros formados na Coimbra Reformada fazerem parte do grêmio acadêmico, seja como membros efetivos, seja como correspondentes. A elite intelectual do ultramar, especialmente a do Brasil, contribuiu maciçamente com o projeto, subjacente ao ideário da Academia, de construção de uma nova articulação política e econômica entre Portugal e o universo colonial, com vistas à solidificação de uma grande nação portuguesa. José Bonifácio de Andrada e Silva é o exemplo paradigmático do ilustrado ultramarino com trânsito nas instâncias governativas portuguesas (foi consultor régio para assuntos de mineralogia) e na Academia de Lisboa, onde ocupou o cargo de Secretário Geral. As questões políticas e econômicas da relação metrópole-colônia estiveram sempe na pauta de suas preocupações e estão presentes na coleção de memórias por ele produzidas. Por outro lado, o perfil cosmopolita desse erudito brasileiro revela-se na sua participação como membro de várias outras Academias européias. Baltazar da Silva Lisboa, outro dos brasileiros coimbrões, escreveu o Discurso Histórico, Político e Econômico dos Progressos e Estado Atual da Filosofia Natural em Portugal, acompanhado de algumas reflexões sobre o Estado do Brasil, na segunda parte da memória, o autor aponta uma série de setores que gerariam grande fontes de riqueza para o Estado, indicando formas para superar as carências. Silva Lisboa, assim como José Eloi Ottoni, José Vieria Couto e Antonio da Silva Pontes responderam ao concurso anual da Academia que propunha a descrição física e econômica de alguma região do reino ou das colônias. Inserem-se nessa conjugação de objetivos as expedições científicas ao Brasil e outras regiões do império, como processo de redimensionamento e reconhecimento desses territórios e de investigação de suas possibilidades produtivas sob a nova ótica da integração.

 

.......... LINQUES

http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ciencia/e31.html

http://www.instituto-camoes.pt/cvc/ciencia/e46.html

 

.......... O QUE LER

AYRES, Cristovão. Para a história da Academia de Sciências de Lisboa. Coimbra: Imprensa Universitária, 1927.

CARDOSO, José Luís. O pensamento económico em Portugal nos finais do século XVIII, 1780-1808. Lisboa: Editorial Estampa, 1989.

CARVALHO, Rómulo de. A actividade pedagógica da Academia de Ciências de Lisboa nos séculos XVIII e XIX. Lisboa, s.ed., 1979.

FERRÃO, António. Os estudos históricos na Academia de Ciências. Coimbra: Imprensa da Universidade, 1931.

_____. O segundo Duque de Lafões e o Marquês de Pombal, subsídios para a biografia do fundador da Academia das Ciências. Lisboa: Academia das Ciências, 1935.

_____. A Academia das Ciências de Lisboa e o movimento filosófico, científico e literário da segunda metade do século XVIII; a fundação desse instituto e a primeira fase da sua existência. Coimbra: Imprensa de Universidade, 1923.

IRIA, Alberto. A fundação da Academia das Ciências de Lisboa. In: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA EM PORTUGAL. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1986. v.2, p.1282-1299.

JANEIRA, Ana L. Modalizações do saber no século XVIII; distribuições epistêmicas nos espaços portugueses antes da fundação da Academia Real das Ciências de Lisboa. 1779. Actas do Colóquio Internacional. Lisboa: Imprensa Nacional-Casa da Moeda, 1990.

MEMÓRIAS ECONÓMICAS DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE LISBOA. 1789-1815. Lisboa: Banco de Portugal, 1991. 5v.

MEMÓRIAS ECONÓMICAS INÉDITAS. (1780-1808) Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1987. p.11-29.

NUNES, Manuel Jacinto. A contribuição das Memórias Económicas para o desenvolvimento científico e económico do país. In: HISTÓRIA E DESENVOLVIMENTO DA CIÊNCIA EM PORTUGAL. Lisboa: Academia das Ciências de Lisboa, 1986. v.2, p.1341-1351.

RIBEIRO, José Silvestre. História dos estabelecimentos científicos, literários e artísticos do Portugal. Lisboa: Tipografia da Academia Real das Ciências, 1871-1893. 18v.

 

.......... DOCUMENTO

Oração fúnebre ao Duque de Lafões pelo luso-brasileiro Luís Antônio de Oliveira Mendes

 

Magnus Pereira & Ana Cruz