
|
|
|||||
|
|
As Viagens Filosóficas
|
||||
|
Lista da Segunda Remessa da Real Expedição da Ilha de S. Nicolao, por Feijó (1784)
Memória Econômica por Feijó
Memória sobre a Nova Irrupção Vulcânica, por Feijó (1785) |
VIAGENS & EXPEDIÇÕES João da Silva Feijó João
da Silva Barbosa nasceu no Rio de Janeiro, provavelmente, em 1760. Ainda
muito jovem, saiu do Brasil para ingressar na Universidade de Coimbra, matriculando-se
no curso de Filosofia e, posteriormente, no de Matemática. Em 1778, Domingos
Vandelli arregimentou, entre seus melhores ex-alunos de Coimbra, a equipe
que passaria a trabalhar na organização do acervo do Museu de História
Natural da Ajuda, em Lisboa. João da Silva fazia parte desse grupo, juntamente
com Alexandre Rodrigues Ferreira, Manuel Galvão da Silva e Joaquim José
da Silva, todos nascidos no Brasil. Por essa época, João da Silva passou
a adotar o sobrenome Feijó, provavelmente em homenagem a Benito Jerónimo
Feijoo, filósofo espanhol, que na época gozava de grande prestígio entre
os estudiosos das ciências naturais. A partir de 1783, sob a coordenação de Vandelli
e o patrocínio do ministro Martinho de Mello e Castro, iniciava-se o grande
projeto de realização das viagens filosóficas. O grupo da Ajuda foi,
então, desmembrado e cada um dos naturalistas seguiu em missão científica
para uma região do império. Feijó foi designado para explorar as ilhas
do arquipélago de Cabo Verde, onde chegou em junho de 1783. Assim como seus colegas, ele encontrou grandes dificuldades
para ver reconhecida sua condição autônoma de homem de ciência. A atividade
própria do naturalista, que se ocupava em observar e recolher coisas como
borboletas, plantas, conchas e pedras, muitas vezes foi tomada como desimportante
aos olhos dos demais funcionários coloniais. No caso de Feijó, pesava um agravante: a idade. Mais
jovem que seus companheiros, ele sofreu a estreita e severa tutela do ministro
Mello e Castro e de Júlio Matiazzi, coordenador das atividades dos naturalistas
em campo. Além disso, logo ao chegar a Cabo Verde, começaram os desentendimentos
entre o jovem e o bispo governador das ilhas. O principal documento a informar sobre a movimentação
de Feijó como naturalista em campo foi o Itinerário
filosófico que contém a Relação das Ilhas de Cabo Verde disposto pelo
método epistolar. Como o título sugere, este relato é composto
por um conjunto de cartas endereçadas a Martinho de Mello e Castro, dando
conta de suas atividades. Ao contrário do que Feijó esperava, sua atuação
não correspondeu às expectativas de Mello e Castro, que criticou o acondicionamento
das remessas e a pobreza do material enviado. O
ano de1786 Feijó gastaria refazendo os passos de suas primeiras viagens,
tentando, assim, se redimir perante seus superiores em Lisboa. Uma das queixas
que recebera era de não ter dado suficiente atenção ao salitre da Brava
e ao enxofre do Fogo, de que mandara amostras insignificantes sem a indicação
de existirem, ou não, jazidas economicamente aproveitáveis. No início
do ano, por instrução de Julio Mattiazi, retornava à ilha Brava, concluindo
que a exploração do salitre não era viável. Passou a seguir à ilha
do Fogo, para ver de perto a erupção do vulcão e estudar a possibilidade
de explorar enxofre. A observação do fenômeno está relatada em sua Memória sobre a Irrupção do Fogo. No
início de 1789, na ilha de Santiago, ele desenvolveu experiências sobre
a conservação de peixes, de que resulta um pequeno ensaio, ainda inédito,
intitulado Relação da
Factura do Peixe Seco. A seguir, é enviado à Ilha de Santo
Antão, onde a coroa mantinha instalações para a exploração
experimental de anil. Neste período, o naturalista escreveu uma Memória
sobre a fábrica de anil da Ilha de Santo Antão, a qual foi
publicada no volume inaugural das Memórias Econômicas da Academia, em
1789. Mesmo estando em Cabo Verde, Feijó não descurou de tentar dar
visibilidade a seu trabalho e a publicação de seu texto pela Academia
das Ciências não deixava de representar um reconhecimento à sua atuação.
É interessante perceber que, da primeira leva de naturalistas enviados
às colônias, o único a ser admitido como membro pleno da Academia foi
Alexandre Rodrigues Ferreira, que lamentou o fato de os seus colegas
terem sido preteridos. No entanto, Feijó foi o único deles a ter memórias
editadas na principal publicação da Academia. A
partir do início da década de 1790, Feijó começaria a acumular
interinamente algumas funções burocráticas. Em 1793, ocupou o cargo
de Secretário do Governo da Capitania de Cabo Verde e de Escrivão da
Matrícula da Gente de Guerra. Foi também Juiz de Órfãos e
Sargento-mor da Praça de Ribeira Grande, funções muito apreciadas
pela elite local. Nesse período, começou a fazer gestões para
retornar a Portugal. Em
Lisboa, Feijó voltou a trabalhar com seu antigo parceiro Alexandre
Rodrigues Ferreira, que retornara da Amazônia, organizando no Museu da
Ajuda um herbário com espécimes que enviara do arquipélago
caboverdeano. O naturalista alemão Heinrich-Friedrich Link, que esteve
em Portugal entre 1797 e 1799, conheceu pessoalmente os seus colegas
brasileiros e examinou o herbário organizado por Feijó, elogiando-o.
Em
fevereiro de 1799, Feijó foi nomeado Sargento-mor das milícias da
Capitania do Ceará, para onde foi enviado acumulando a função de
naturalista. A sua principal missão era verificar as jazidas de salitre
da região e estabelecer sua exploração econômica. Por motivos estratégicos,
Portugal queria tornar-se auto-suficiente na produção desse composto
mineral utilizado para a fabricação de pólvora. Além da busca de
jazidas de nitrato, a atenção do naturalista voltou-se para o estudo e
a avaliação da exploração econômica de outros recursos minerais da
região. Paralelamente
ao trabalho de mineralogista, Feijó dedicou-se ao estudo da fauna e da
flora do Ceará e à recolha de espécimes para envio à Europa. São,
dessa época, o envio de diversas remessas para o Real Jardim Botânico
da Ajuda, além de outra, feitas ao congênere de Berlim. Durante
os anos em que permaneceu no Ceará, Feijó dedicou-se à elaboração
de textos científicos sobre os mais variados temas. Além de redigir opúsculos
sobre salitre, ouro, criação de ovelhas, etc. ele deu início a um
projeto de maior envergadura científica: a Flora Cearense. Em 1822, retornou ao Rio de Janeiro, sua terra natal, onde passou a atuar como professor de História Natural, Zoológica e Botânica da Academia Militar e começou a organizar compêndios escolares para o ensino da História Natural. Faleceu em 1824, tendo sido sepultado no claustro da Capela de Nossa Senhora da Consolação, da Ordem Terceira de São Francisco de Paula. Após sua morte, os manuscritos da Flora Cearense foram resgatados pelo naturalista Freire Alemão em uma padaria carioca, onde estavam servindo como papel de embrulho.
.......... LINQUE http://www.triplov.com/hist_fil_ciencia/feijo/
.......... OBRAS FEIJÓ,
João da Silva. Ensaio Economico sobre as ilhas de Cabo Verde, em
1797. MEMÓRIAS ECONÓMICAS DA ACADEMIA REAL DAS SCIENCIAS DE
LISBOA. 1789-1815. Lisboa: Banco de Portugal, 1991. v.5. p.131-147. _____.
Ensaio e memórias económicas sobre as ilhas de Cabo Verde; Século
XVIII. Lisboa : Instituto Caboverdeano do Livro, 1986. _____.
Preâmbulo ao ensaio filosófico
e político sobre a Capitania do Ceará para servir para a sua história
geral. Rio de Janeiro : Imprensa Régia, 1810. _____. Memória sobre a Capitania do Ceará, 1814. O PATRIOTA, tomo 3, n.1, pp. 46-62.
..........
O QUE LER FERRAZ, Márcia H. M. A produção
do salitre no Brasil colonial. QUIMICA NOVA, n.26, 2000. p.845-850.
.......... DOCUMENTO FERREIRA, Aniceto Antônio. Memoria dos Artigos e Produções das Ilhas de Cabo Verde.
|