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Manuscritos de Hipólito José da Costa

 

 

 

VIAGENS & EXPEDIÇÕES

Hipólito José da Costa Pereira Furtado de Mendonça

Nasceu em 1774, na Colônia do Sacramento. Essa faixa de terra situada às margens do Rio da Prata, defronte a Buenos Aires, foi uma zona de tensão, pertencendo, durante muito tempo, ora a Portugal, ora a Espanha. Em 1777, três anos após o nascimento de Hipólito, era assinado o Tratado de Santo Hildefonso, pelo qual os portugueses deixavam definitivamente aquela região. O militar Félix da Costa Furtado, pai de Hipólito, transferiu-se, então, para o Rio Grande do Sul, onde o menino viveu a infância e fez seus primeiros estudos.

Aos 19 anos o Hipólito matriculou-se na Universidade de Coimbra, vindo a graduar-se em Direito e Filosofia. Hipólito foi mais um dos jovens estudantes brasileiros a gozar da especial proteção do então Secretário dos Negócios e do Ultramar, D. Rodrigo de Souza Coutinho. Logo após formar-se, aos 24 anos, ele foi enviado para os recém-independentes Estados Unidos da América como servidor régio. Sua missão no Novo Mundo revestia-se de caráter simultaneamente econômico e científico. Ele deveria obter informações sobre as culturas e as técnicas de cultivo agrícolas, especialmente do tabaco e do linho cânhamo, observar instrumentos e técnicas de manufatura, bem como obter sementes e mudas de espécimes vegetais americanos para serem aclimatadas nas colônias portuguesas. Entre estas, a cultura da planta mais propícia ao cultivo da cochonilha, muito requisitada na Europa como matéria prima para o fabrico de tintas.

Hipólito partiu de Lisboa em 1798 e, durante cerca de dois anos, viajou pelos Estados Unidos, de norte a sul, percorrendo vários estados e chegando até o México. O diário de suas viagens, publicado sob o nome de Diário de viagem à Filadélfia, revela o olhar multifacetado com que esse viajante ilustrado brasileiro se debruçou sobre a sociedade americana. Descreveu as cidades por onde passou e os hábitos e costumes de seus habitantes, transitou pelos círculos diplomáticos e freqüentou vários eventos sócio-culturais, visitou presídios e universidades e manteve contato com estudiosos das ciências naturais. Um grande surto de febre amarela, ocorrido na região de Whashington, alertou Hipólito para as causas da doença e as condições sanitárias da cidade. Hipólito interessou-se também pelo funcionamento das instituições americanas, sobre as quais procurava informar D. Rodrigo enviando-lhe folhetos e recortes de jornais.

Durante sua estada na América do Norte, as numerosas lojas maçônicas chamaram sua atenção e ele acabou por filiar-se à sociedade na Filadélfia.

Voltando a Portugal, Hipólito passou a integrar o grupo de brasileiros que trabalhava na Tipografia do Arco do Cego, onde realizou trabalhos de tradução. Quando o Arco do Cego foi extinto e seu acervo integrado à Imprensa Régia, Hipólito, juntamente com Mariano da Conceição Veloso, foi nomeado membro da Junta que passou a gerir a instituição.

Em 1802, D. Rodrigo enviou Hipólito a Londres a fim de adquirir livros para a Biblioteca Pública e maquinário para a Imprensa Régia. Na Inglaterra, ele acabaria por envolver-se com as lojas maçônicas inglesas, junto às quais procurava obter proteção para suas congêneres portuguesas. As notícias das atividades de Hipólito junto à maçonaria inglesa logo chegaram a Portugal, onde a maçonaria era criminalizada. Embora avisado de que seria preso ao por os pés em Lisboa, Hipólito voltou. Foi encarcerado e respondeu a processo junto ao tribunal da Inquisição. Acabou por fugir da prisão, voltando à Inglaterra onde passaria o resto da vida. Nos primeiros três anos em Londres, Hipólito deu aulas de português, fez algumas traduções e colaborou com autores ingleses na edição de uma História de Portugal.

De 1808 a 1822, Hipólito editou, em Londres, o jornal Correio Brasiliense. Os estudos bibliográficos sobre este brasileiro ilustrado têm privilegiado esta fase de sua vida em que atua como jornalista e crítico combativo das relações Portugal-Brasil.

Contudo, a trajetória de Hipólito foi muito mais complexa do que a intensa atividade jornalística permite perceber. Filho da elite econômica da colônia e membro da geração ilustrada do setecentos português, Hipólito foi um dos protegidos de D. Rodrigo de Sousa Coutinho, que lhe confiou a missão estratégica americana, deu-lhe emprego ao voltar e proteção ao ser perseguido. Durante todo o período anterior a sua ida para Londres, portanto, o jovem intelectual, como a maior parte dos da sua geração, estava mais voltado à colaborar na consolidação do império português do que interessado em idéias independentistas.

 

.......... LINQUE

http://www.senado.gov.br/web/cegraf/conselho/Edicoes6.htm

 

.......... OBRAS

PEREIRA, Hipólito da Costa. Diário da minha viagem para Filadélfia, 1789-1799. Rio de Janeiro: Publicações da Academia Brasileira, 1955.

_____. Narrativa da perseguição. Brasília: Fundação Assis Chauteaubriand, 2001.

_____. Memória sobre a viagem aos Estados Unidos. RIHGB, v.21, 1858. p.351-365.

_____. Descripção da árvore assucareira, e de sua utilidade e cultura. Lisboa: Typographia Chalcográphica e Litteraria do Arco do Cego, 1800.

_____. Descripção de huma máquina para tocar a bomba a bordo dos navios sem o trabalho de homens. Lisboa: Typographia Chalcográphica e Litteraria do Arco do Cego, 1800.

____. Cartas sobre a francomaçonaria. Rio de Janeiro: Typ Imp Cons Seignot-Plancher C, 1833.

_____. Correio Braziliense, ou, Armazém literário. São Paulo: Imprensa Oficial do Estado/Brasília, F: Correio Braziliense, 2002. ("Edição fac-similar"). Volumes: XVI-XXIV.

 

.......... O QUE LER

ALMEIDA, Paulo Roberto de. Hipólito José da Costa: pioneiro do pensamento econômico brasileiro.

_____. O intelectual Hipólito José da Costa como pensador econômico.

CASTRO, Therezinha de. Hipólito da Costa, idéias e ideais. Rio de Janeiro: Record, 1973.

LOSADA, Janaina Zito. Entre mamutes e acácias: viagem e natureza em Hipólito José da Costa Pereira (séc. XVIII/XIX). FENIX, Revista de História e Estudos Culturais, n.3, 2005.

MOREL, Marco. Hipólito e seu tempo; Entre a estrela e o satélite.

RIZZINI, Carlos. Hipólito da Costa e o Correio Braziliense. São Paulo: Companhia Editora Nacional, 1957.

 

Magnus Pereira & Ana Cruz