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| Francisco José de Lacerda e Almeida | Antônio Pires da Silva Pontes |

 

Itinerário de Lacerda e Almeida em Moçambique

 

Manuscritos de Lacerda e Almeida

 

Ilha de Moçambique

 

 

VIAGENS & EXPEDIÇÕES

Francisco José de Lacerda e Almeida

Filho do capitão português José António de Lacerda e da luso-brasileira de Itu, D. Francisca de Almeida Pais, Francisco José de Lacerda e Almeida nasceu em São Paulo, por volta de 1753. Não se sabe onde fez seus primeiros estudos e nem em que data teria deixado a cada paterna. Entre os anos de 1771 e 1772, Lacerda e Almeida matriculou-se na Universidade de Coimbra, onde fez os cursos de Matemática e de Filosofia. Em 1777, aos vinte e quatro anos, recebeu o grau de doutor em Matemática.

No ano seguinte, o jovem iniciou sua vida profissional como professor de Matemática da Real Academia dos Guardas da Marinha.

Lacerda e Almeida retornaria ao Brasil, em 1780, nomeado pela coroa para integrar a equipe técnica da Expedição de Demarcação, que tinha por objetivo principal estabelecer os limites entre as terras de Portugal e Espanha na América. Junto com ele veio um outro jovem brasileiro, também formado em Coimbra, o mineiro Antonio Pires da Silva Pontes. Nessa missão os dois matemáticos astrônomos estiveram envolvidos por cerca de dez anos, período em que navegaram os principais rios dos sertões da Amazônia e do Mato Grosso, em sucessivas jornadas de reconhecimento. Na última etapa desta jornada, Lacerda e Almeida partiu de Vila Bela, à época capital da província do Mato Grosso, em direção a São Paulo e, seguindo o curso dos rios pela rota das monções, alcançaria sua terra natal em janeiro de 1789.

O astrônomo-viajante deixou uma série de diários relativos a cada uma das etapas de sua grande viagem pelo interior do Brasil, além de mapas e tabelas de latitudes e longitudes. Este tipo de informação científica tinha como destino principal a Secretaria da Marinha e do Ultramar, à qual cabiam as decisões estratégicas nos assuntos relativos às colônias. Porém, muitos desses registros de viagem, como os mapas e diários dos integrantes das expedições de demarcação, chegariam também à Real Academia de Ciências de Lisboa, núcleo de produção e promoção de estudos e informações de interesse para o desenvolvimento econômico e científico de Império. Lacerda e Almeida ainda itinerava pelo Brasil, mas seus documentos de viagem já teriam chegado a Lisboa quando, em 1787, foi admitido como sócio da Real Academia.

Em 10 de junho de 1790, Lacerda e Almeida deixou o porto de Santos com destino a Lisboa, onde retomou suas atividades de magistério na Academia da Marinha.

Em 1797, este matemático nascido em São Paulo receberia da coroa a importante missão estratégica de realizar a travessia da África, à contra costa, partindo de Moçambique até alcançar Angola. Nomeado governador dos rios de Sena, ele deixou Lisboa para aquela que seria uma viagem sem volta.

A expedição pelo interior africano, tinha por objetivo descobrir uma suposta rede fluvial que permitisse a ligação continental entre as costas oriental e ocidental da África. O estabelecimento de um caminho fortificado através dos reinos do interland africano apresentava-se como um passo importante para marcar a presença portuguesa em solo africano, bem como a conquista de uma rota alternativa de comercio com o oriente.

O projeto não se cumpriu de todo. Em condições extremamente adversas, Lacerda e Almeida percorreu apenas parte do itinerário previsto, vindo a morrer vítima das febres que grassavam nos sertões africanos. Os diários relativos às jornadas africanas revelam muito do olhar desse viajante brasileiro sobre as populações africanas e sobre a presença portuguesa naquela longínqua região do Império. Embora o objetivo principal da viagem de Lacerda e Almeida tenha malogrado, as informações que ele produziu sobre as regiões por onde passou permaneceram, por mais de meio século, a serem as únicas que os europeus dispunham sobre aquela parte da África.

 

.......... OBRAS

ALMEIDA, Francisco José de Lacerda e. Diários de viagem de Francisco José de Almeida. Rio de Janeiro: Instituto Nacional do Livro, 1944.

_____. Diário da viagem de Moçambique para os Rios de Senna. Lisboa: Imprensa Nacional, 1889.

_____. Diário de viagem do Dr. Francisco José de Lacerda e Almeida pelas capitanias do Pará, Rio Negro, Mato Grosso, Cuiabá e São Paulo, nos anos de 1780 a 1790. São Paulo: Typ. de Costa Silveira, 1841.

_____. Travessia da África. Lisboa: Agência Geral das Colônias, 1936.

 

.......... O QUE LER

BURTON, R. F.(ed.). The lands of Cazembe. London: John Murray, 1873.

CRUZ, Ana Lúcia Rocha Barbalho. As viagens são os viajantes: dimensões identitárias dos viajantes naturalistas brasileiros do século XVIII. HISTÓRIA: QUESTÕES E DEBATES, n.36, 2002. p.61-08.

EÇA, Filipe G. de M. C. Almeida de. Lacerda e Almeida; escravo do dever e mártir da ciência. (1753-1798). Lisboa: s.ed., 1951.

MARTINS, Luísa Fernanda Guerreiro. Francisco José de Lacerda e Almeida; travessias científicas e povos da África central. 1797-1884. Lisboa: Universidade de Lisboa: 1997. (Disertação de Mestrado policopiada).

PEREIRA, Magnus Roberto de Mello. Brasileiros a serviço do Império; a África vista por naturais do Brasil, no século XVIII. REVISTA PORTUGUESA DE HISTÓRIA, Coimbra, v.33, 1999. p.153-190.

_____. Um Brasil imperfeito; ou de como a África foi vista por brasileiros em finais do século XVIII.

 

.......... DOCUMENTO

ALMEIDA, Francisco José de Lacerda e Almeida. Diário da Viagem de Vila Bela Capital da Capitania de Mato Grosso até Vila e Praça de Santos na Capitania de São Paulo.

 

Magnus Pereira & Ana Cruz