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  As Viagens Filosóficas
| Alexandre Rodrigues Ferreira | João da Silva Feijó | Joaquim José da Silva |
| Manoel Galvão da Silva | Hipólito José da Costa |
As Expedições
| Francisco José de Lacerda e Almeida | Antônio Pires da Silva Pontes |

 

Expedição por Alexandre Rodrigues Ferreira

 

Máscaras Indígenas 

 

Relação dos Produtos Naturais por Alexandre Rodrigues Ferreira

 

Memórias sobre as Pororocas do Rio Guamá

 

Rota de Alexandre Rodrigues Ferreira no Brasil

 

VIAGENS & EXPEDIÇÕES

Alexandre Rodrigues Ferreira

Nasceu na Bahia, em 27 de abril de 1756. Dos cientistas viajantes do século XVIII português, ele foi, sem dúvida, o que mais atenção mereceu da historiografia. Estudiosos brasileiros e portugueses produziram numerosos trabalhos sobre a vida e a obra desse naturalista.

Em 1773, matriculou-se em Direito, mas acabou por graduar-se e doutorar-se em Filosofia, habilitando-se na recém criada profissão de naturalista. Ainda estudante, Ferreira foi convidado pelo mestre Domingos Vandelli para ser demonstrador nas aulas de História Natural.

Em 1779, Vandelli começou a planejar uma grande Viagem Filosófica ao Brasil, pensando, desde o início em convidar Alexandre Rodrigues Ferreira para chefiá-la. Estava nos planos do mestre italiano envolver nesse projeto toda a equipe que, sob sua orientação, trabalhava no Museu e Jardim Botânico da Ajuda organizando as remessas de produtos naturais que chegavam a Lisboa, vindas das colônias. Além de Ferreira, trabalhavam na Ajuda os naturalistas brasileiros que mais haviam se destacado como alunos de História Natural: Manoel Galvão da Silva, João da Silva Feijó e Joaquim José da Silva. Todavia, o projeto acabou sendo alterado e a equipe foi desmembrada em outras menores, enviadas simultaneamente aos quatro cantos do Império. Galvão da Silva seguiria para Moçambique, Feijó para as ilhas de Cabo Verde e Joaquim José da Silva para Angola.

Alexandre Rodrigues Ferreira, acompanhado do jardineiro Agostinho do Cabo e dos desenhadores José Joaquim Codina e Joaquim José Freire, foi enviado para a região amazônica, chegando ao Brasil em setembro de 1783. De Belém segue para Barcelos, capital da capitania de Rio Negro, e ali inicia o périplo que por quase uma década percorreria a Amazônia e o Mato Grosso, realizando um fantástico levantamento do acervo natural e etnográfico da região. Conta-se aos milhares os exemplares da flora, da fauna e de minerais coletados, acondicionados e remetidos para Lisboa. O que não era possível transportar, como as vilas, os rios, as cachoeiras, a paisagem amazônica de forma geral, bem como seus habitantes indígenas, foi meticulosamente registrado pelas hábeis mãos de seus desenhistas. Além disso, o naturalista produziu uma quantidade enorme de informação sob a forma de memórias temáticas, descrições e diários de viagem, além de relatórios de cunho administrativo.

Nos quatro anos seguintes, Ferreira exploraria a bacia amazônica, especialmente os rios Negro e Branco. Essas expedições deslocavam-se seguindo o curso dos rios, utilizando-se de canoas e algumas embarcações à vela. A equipagem era composta de índios requisitados dos aldeamentos ribeirinhos, entre os quais estavam os que, por conhecerem o território, serviam de guias.

A seguir, teve início a última parte da viagem filosófica, dedicada à exploração da Capitania do Mato Grosso. A expedição chegou à capital, Vila Bela,.em 3 de Outubro de 1789. Nesta cidade, morreu de febre o jardineiro Agostinho Joaquim do Cabo. Em abril do ano seguinte, Ferreira e seus auxiliares seguiram em direção a Cuiabá. Exploraram a Gruta do Inferno e a Gruta das Onças, já visitada em 1781 pela Expedição de Demarcação. Essas cavernas foram desenhadas e descritas em detalhe. Durante as jornadas pela região morreria o desenhista Joaquim José Codina.

Em finais de Junho de 1791, Ferreira retornou a Vila Bela e, três meses depois, a Belém do Pará, onde se casou com a filha de um fazendeiro que conhecera logo no início da expedição. Não conseguindo permissão oficial para ir à Bahia visitar a família, como pretendia, acabaria por retornar diretamente a Lisboa.

O périplo pelos sertões da Amazônia demorou mais tempo do que o inicialmente previsto. Em conseqüência, grande parte do material enviado para Lisboa perdeu-se ou deteriorou-se. Contudo, os diários de viagem, nomeados de Participações, e as numerosas memórias sobre os mais variados temas que o prolífico naturalista produziu durante suas peregrinações pelos sertões do Brasil, constituem inesgotável material para a pesquisa histórica. Os textos resultantes da viagem filosófica pela Amazônia impressionam pela quantidade e diversidade de aspectos abordados, denotando a orientação enciclopedista da formação do autor.

Chegando a Portugal, no início de 1793, Alexandre Rodrigues Ferreira passaria a trabalhar no Museu e Jardim Botânico da Ajuda, na condição de vice-diretor. Apesar de pouco presente, Vandelli foi mantido como diretor. No final da década, João da Silva Feijó retornou de Cabo Verde e voltou a trabalhar com o antigo colega, até que assumisse novo posto no Ceará.

A partir de 1807, Ferreira passou a apresentar sérios problemas de saúde que o impediam de trabalhar com o material que resultara das viagens filosóficas portuguesas. O naturalista Alexandre Rodrigues Ferreira morreu em Lisboa, a 23 de abril de 1815.

 

 

.......... LINQUES

http://www.naturlink.pt/canais/Artigo.asp?iArtigo=1990&iLingua=1

http://amazonia.no.sapo.pt/

http://catalogos.bn.br/alexandre/

 

.......... OBRAS

FERREIRA, Alexandre Rodrigues. Diário da Viagem Philosophica pela Capitania do Rio Negro. RIHGB, v.48, 1885. p.1-234; v.49, 1886. p.123-288; v.50, 1887. p.11-141; v.51, 1888. p.5-166.

_____. Viagem filosófica ao Rio Negro. Belém: Museu Goeldi, 1983. Ed. fac-simile da do IHGB.

_____. Viagem Filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Ciuabá. Memórias de zoologia e botânica. Brasília: Conselho Federal de Cultura, 1972.

_____. Viagem Filosófica pelas capitanias do Grão-Pará, Rio Negro, Mato Grosso e Ciuabá. Memórias de antropologia. Brasília: Conselho Federal de Cultura, 1974.

_____. Viagem à Gruta das Onças. RIHGB, v.12, 1874. 2.ed.  p.87-95.

_____. Gruta do Inferno. RIHGB, v.4, 1863. 2.ed. p.363-367.

VIAGEM AO BRASIL DE ALEXANDRE RODRIGUES FERREIRA. São Paulo: Kapa Editorial, 2002. 2v.

 

.......... O QUE LER

COSTA, Maria de Fátima. Alexandre Rodrigues Ferreira e a capitania de Mato Grosso: imagens do interior. HISTÓRIA, CIÊNCIAS, SAÚDE, v.8.(suplemento), 2001. p.993-1014.

CRUZ, Ana Lúcia Rocha Barbalho. As viagens são os viajantes: dimensões identitárias dos viajantes naturalistas brasileiros do século XVIII. HISTÓRIA: QUESTÕES E DEBATES, n.36, 2002. p.61-08.

DOMINGUES, Ângela. Viagens de exploração geográfica na amazónia em finais do século XVIII; política, ciência e aventura. Funchal: Centro de Estudos de História do Atlântico, 1991.

_____. Para um melhor conhecimento dos domínios coloniais: a constituição de redes de informação no Império português em finais do Setecentos. HISTÓRIA, CIÊNCIAS, SAÚDE, v.8.(suplemento), 2001. p.823-838.

FARIA, Miguel Figueira. A imagem útil. Lisboa: Universidade Autônoma de Lisboa, 2001.

GALERA, Andrés. Filosofia de um viaje; Alexandre Rodrigues Ferreira explora Amazonia.

LIMA, Américo Pires de. (org.) O doutor Alexandre Rodrigues Ferreira; documentos coligidos e prefaciados. Lisboa: Agencia Geral do Ultramar, 1953.

RAMINELLI, Ronald. Do conhecimento físico e moral dos povos: iconografia e taxionomia na Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. HISTÓRIA, CIÊNCIAS, SAÚDE, v.8.(suplemento), 2001. p.969-992.

_____. Ciência e colonização; Viagem Filosófica de Alexandre Rodrigues Ferreira. TEMPO, v.3, n.6., 1998. p.157-182.

SIMON, Willian Joel. Scientific expeditions in the portuguese overseas territories. 1783-1808. Lisboa: Instituto de Investigação Tropical, 1983.

 

Magnus Pereira & Ana Cruz